quinta-feira, 9 de abril de 2015

DISNEY - MALÉVOLA: A HISTÓRIA DE LÚCIFER NA VISÃO DOS DERROTADOS.


Trago hoje um novo post. Assisti a pouco no canal fechado, o filme Malévola (do original em inglês, "Maleficent"). Uma super produção, diga-se de passagem, com bonitos efeitos. Contudo, tal foi minha surpresa ao me deparar com uma história já minha conhecida e, talvez, um tanto assustadora para quem não está familiarizado. Não me refiro ao conto de fadas "A Bela Adormecida", a respeito do qual a Disney já havia lançado na forma de desenho. Em resumo, o filme, com inspiração no clássico de 1959 da Disney, é narrado sob o ponto de vista da protagonista, a bruxa Malévola, interpretada por Angelina Jolie. Aqui conhecemos outra versão da história: (aqui contém Spoiler!) Malévola costumava ser a mais poderosa protetora do Reino dos Moors, um reino povoado por seres fantásticos. Após sofrer uma terrível traição do Rei Stefan, ela se vinga rogando uma maldição na filha deste, a princesa Aurora. O que Malévola não contava é que desenvolveria um grande laço de afeto com Aurora, e consequentemente, arrependeria de sua própria maldição.
Mas o que me deixou apreensivo, a ponto de assistir ao filme por duas vezes seguidas foi algo que podemos chamar de "a estória dentro da estória". Existe em exegese bíblica algo conhecido como “lei da dupla referência[1]”; diz respeito aos textos proféticos, onde um mesmo vaticínio pode referir-se a algo imediato, local e ao mesmo tempo fazer alusão a um momento vindouro de cumprimento da mesma profecia; é algo que pode ser detectado a partir de uma análise mais profunda do texto sagrado, não sendo necessariamente aplicável a todas as profecias bíblicas.
O filme “Malévola”, por si só, possui “um toque” de questionamento dos conceitos pré-estabelecidos, já que retrata uma figura, que em épocas passadas tinha toda uma representação do vilão para qualquer criancinha que o assistisse. Mas, no enredo atual, com a roupagem nova dada pelo diretor Robert Stromberg, Malévola é na verdade “a mocinha”, enquanto que o rei Stefan é o vilão. O engraçado desta inversão de certo e errado, é que a própria atriz Angelina Jolie, falou em entrevista que, quando se vestia da personagem assustava a maioria das criancinhas por causa do seu figurino sombrio, escolha da própria atriz.
Apesar de a estória original dizer respeito ao conto da Bela Adormecida, como já falado, existe outra história, intrinsicamente ligada à estória principal, mas que pode ser facilmente detectada por qualquer um que tenha se debruçado sobre os conceitos de Angelologia, que é a doutrina teológica de estudo dos anjos.
Nos livros da Bíblia Sagrada de Ezequiel e Isaías, mas especificamente, capítulos 28 de Ezequiel e 14 de Isaías, há uma história onde a lei da dupla referência é bastante visível, quando da análise exegética do texto. Ezequiel 28 possuiu uma profecia relacionada ao rei da cidade de Tiro (Alguns o identificam como tendo sido Ethbaal III, que reinou de cerca de 591 a 572 a.C. Outros o identificam como Ithobal II ou simplesmente “Ithiobalus”), onde Yahweh, Deus do povo judeu, julga e sentencia tal rei, pelo fato do mesmo ter sido tomado por uma soberba altivez, a ponto de se considerar como um deus. Já a partir do versículo 12 do referido capítulo, o texto profético toma uma conotação mais aprofundada, onde a maioria dos exegetas considera que esta passa a tratar de uma referência, não ao próprio rei de Tiro, mas sim ao poder sobrenatural, ou ser espiritual que estava por detrás deste, ao qual o primeiro servira apenas de marionete (Ez. 28:12-49).
Já em Isaías capítulo 14, o vaticínio alude ao rei da Babilônia, a grande nação opressora de Judá; a partir do versículo 12 (Is. 14:12-15), já é notada a referência a algo superior ao próprio rei babilônico, sendo inclusive um versículo chave para o estudo quando cita “Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!”[2]
Na versão da bíblia “Almeida Revisada Imprensa Bíblica” traz o mesmo texto da seguinte forma: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações!”, onde se vê o significado do nome Lúcifer, Lucis (luz), feris (que conduz). Apesar de ser a forma mais conhecida do nome do querubim, esta só aparece na tradução da Vulgata Latina, onde a bíblia foi transliterada do hebraico para o latim.
Já de acordo como o Westminster Leningrad Codex, do mesmo texto de Isaías 14:12, aparecem os termos “nphlth  shmim  eill  bn”[1], que com o acréscimo das vogais lê-se “nephalth  shamaim Heill  benai,” traduzindo, “caíste do firmamento, portador da luz, filho da alva”. Uma informação  mais detalhada a respeito do tema pode ser vista em: Eliel Gaby - Seminários, Palestras e Escola Bíblica (que postaremos no final.)
 Voltando ao filme “Malévola”, fazendo uma comparação com os textos ora expostos, pode-se inferir assim: Malévola é um ser alado, uma “fada”, senhora de um jardim povoado por seres fantásticos, onde era soberana; onde se podiam ver diversas luzes, de variados brilho e tonalidades. Algo muito semelhante a:
“Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados.”[4]


No reino de Mors, Malévola vivia em paz e perfeita harmonia:
“Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas”.[5]









Ela (Malévola) nutre amizade com Stefan (cuja tradução do nome significa coroado). Com o passar dos anos a fada (ou anjo, ou querubim...) vê o seu reino ameaçado por exércitos de um certo rei, chegando inclusive a combate-lo em defesa do reino de Mors  (seu reino particular). Então, para não perder seu reino, circunda-o de uma muralha de espinhos, impedindo o avanço das tropas reais.
Com o objetivo de exterminar Malévola e o seu reino, o rei já velho e cansado, decide que, aquele que conseguisse mata-la, herdaria, não apenas a sua coroa, mas também a mão da princesa, sua filha. Stefan, na ganância de tornar-se rei, engana e trai Malévola e, intentando matá-la, perde a coragem, poupando-lhe a vida, mas arranca-lhe as asas, para que servisse de prova forjada da sua morte perante o rei; o que dá certo e Stefan consegue então a coroa.
Não seria mera coincidência nem forçar a barra, a semelhança com a épica batalha entre o Cristo e o Anjo Caído, só que agora contado na versão do perdedor. O rei Stefan, que “coincidentemente” tem semelhança com o Jesus ocidental (de barba, cabelos longos), só que com a feição desgastada, é quem faz o mal nessa versão da estória, “traindo” a amizade que existia entre este e a fada-anjo, que inclusive, fizera as pazes com o mesmo antes deste querer tornar-se rei a qualquer custo.
A partir desse fato, da perda da suas asas, a fada-anjo Malévola, torna-se iracunda e vingativa, o que afeta todo o seu reino, onde na cena é retratado com a sua aproximação espalhando trevas por todo os lados de Moors. O reino brilhante e pacífico de Malévola, torna-se um reino amargo e tenebroso.
Na versão bíblica, diferente do retratado no filme, após o querubim protetor perder suas asas, o que acontece é que este é arremessado do céu à terra como um raio: “Respondeu-lhes (Jesus) ele: Eu via Satanás, como raio, cair do céu.”[6] , e ainda: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti [15].Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas.[16]. Isso porque, ainda segundo o relato bíblico, o anjo caído tentou, após se corromper, uma invasão aos céus, na tentativa de igualar-se ao Altíssimo, conforme registra Isaías 14:13-14: “ E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte;[12] subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.”[13].[7]
Em conversa deste anjo-fada-caído com a humana ingênua, destacamos aqui, a revelação de Malévola a Aurora, no jardim; é quando a princesa pueril acredita ser esta sua fada madrinha, pois, segundo a princesa, a mesma já a observava “das sombras” desde o seu nascimento. Aurora pergunta a respeito das asas de Malévola, se toda fada-anjo possuía, porque ela não as tinha – ao que Malévola responde: “Foram roubadas de mim”; e completa: “é tudo que tenho a dizer sobre minhas asas”. Quando a frágil humana pergunta se suas asas eram grandes, esta responde positivamente, que com elas podia voar até acima das nuvens...Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” (Isaías 14:14)




Outro aspecto interessante da nossa personagem principal diz respeito à sua indumentária. Como já falado, a figura tenebrosa desta, em nada se assemelha com a concepção da mocinha “do bem”, habitual de Hollywood. Além das características da Malévola clássica do desenho da Disney, essa nova versão tem diversos figurinos de acordo com a cena ou ocasião. Em um deles, ela apresenta, além dos temerosos chifres, um couro de serpente em forma de turbante. Futuramente pode ser vista a combinação do “anjo com chifres”, “serpente” e “dragão”, lutando em uma mesma cena, a respeito do que falaremos mais a frente.
Do nascimento da filha do rei Stefan, cujo nome “Aurora” pode significar, princípio, início, nascimento, vemos uma representação do ser humano na sua mais pura ingenuidade, coberta de inocência desde o seu surgimento. A menina Aurora é criada em meio à natureza, passeia no jardim, como nossos primeiros pais antes da queda, como retrata o livro dos Genesis, Bereshit - princípio em hebraico.
Vemos que a menina aurora é observada nas sombras a todo momento pela fada-anjo, que vê na menina o objeto da sua vingança contra o rei Stefan.
Contudo há no filme uma reviravolta, quando a própria Malévola se arrepende do mal causado à frágil humana e tenta inutilmente desfazer o feitiço lançado contra ela pela própria fada-anjo.
Mais a frente, Aurora descobre que na verdade fora vítima de uma maldição e, ao conversar com a fada-anjo, a pequena humana percebe que na verdade fora ela, Malévola, a responsável pela jura que se abatera sobre a própria princesa. Ao descobrir que estava sendo enganada todo o tempo por Malévola, Aurora, se recusa a permanecer no Jardim, ou reino de Moors, e sai em busca da sua verdadeira origem. Desta cena surge uma afirmação interessante da pequena e delicada humana: a de que Malévola é "a responsável por todo o mal que existe no mundo" (qualquer semelhança não é mera coincidência...)






















Nesta "nova versão" da eterna batalha entre o bem e o mal, o "anjo que perdeu as asas", ou "Maleficent" no original inglês, trava uma batalha final contra "O Coroado", onde, é claro, o anjo-fada, com a ajuda do humano, recebe de volta as suas asas (aquela mesma que permitira ao anjo-fada "subir até as nuvens"). Então vê-se uma cena interessante: três seres míticos (se é que podemos chama-los assim), juntos na batalha final contra o rei, qual sejam, o dragão, a serpente e o anjo caído; esses dois últimos representados por Malévola, enquanto que o dragão é “Diaval” (ou Devil=demônio), o ajudante que se tornara “as asas” da anjo-fada. O que nos reporta para o livro do Apocalipse, capítulo 12, versos 7 – 9:
“E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos;[7]Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus.[8]E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.”[9]


O diferente aqui é que, nessa estória da Disney, diferente do relato bíblico como já havíamos falado, o anjo-caído-fada consegue a vitória e, “coincidentemente”, o “Rei Coroado”(Stefan=coroado) é que é precipitado e morto.
O filme termina com a frase “a estória não é bem como lhe contaram”, dito pela própria Malévola, já que ela é a protagonista do mesmo, e que a paz volta a reinar entre “humanos” e as criaturas de “Moors”. E o que a humana recebe por ficar do lado da anjo-caído-fada, agora recuperada? A coroa que outrora havia sido do Rei Stefan, o grande inimigo de Malévola, o qual figura nessa nova versão como traidor do anjo-caído-fada, responsável por “tirar suas asas”, só para ter a coroa de forma forjada e gananciosa, mas que no final é “precipitado do céu a terra” pelo anjo-caído-fada, em oposição à vitória do Cristo sobre a "besta", em Apocalipse caps. 19 e 20: 
"E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão.
Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos."[9]

O Rei Stefan ("O Coroado") - visão tipológica do Jesus Cristão.












Na base dessa idéia, de uso da mídia de massa para mudança dos conceitos cristãos, estão os conceitos de eras, onde estaríamos vivendo agora o início da Era de Aquarius, em substituição à Era de Pisces, sendo que esta última diz respeito ao pensamento ocidental, judaico-cristão, responsável, segundo os adeptos desse pensamento, por levar o homem às guerras, tanto religiosas quanto políticas; contudo, com a substituição da era de Peixes pela de Aquário, haveria uma evolução na mente humana, que aprenderia a convivência pacífica e à fraternidade. Tal é o pensamento dos adeptos desta corrente “New Age”. Como partícipe da construção de uma geração “melhor”, sendo preparada para a Nova Era, a grande indústria cinematográfica, com seu “papel educador”, incute conceitos às crianças, para que estas não venham tornarem-se egocêntricas como as gerações anteriores. Por isso é fácil entender o porque da necessidade de inversão pela Disney, dos conceitos maniqueístas e cristãos que foram incutidos nas sociedades ao longo dos séculos.

Veja mais em: Wikipédia - Era de Aquarius e no texto abaixo, extraído de:
http://elielgaby.blogspot.com.br/2010/11/ebo-paranaguapr-comentarios-de-ezequiel.html#comment-form

_____________________________________________


O rei de Tiro é uma referencia a Satanás? 
(Ezequiel 28.11-19)
"A queda de Lúcifer", ilustração de Gustave Doré para o livro O Paraíso Perdido de John Milton.

E.B.O. - Paranaguá/PR - Comentários de Ezequiel 28
Conforme havia prometido aos alunos da matéria de Angelologia que ministrei na EBO em Paranaguá/PR, igreja presidida pelo Pr. José Alves, apresento alguns comentários sobre o texto de Ezequiel 28.


Parece bastante natural tomar esse poema como uma repetição, pela ênfase de Ezequiel ao criticar a queda da Tiro terrena e de seus governantes humanos. Todavia, muitos vêem a passagem como direcionada indiretamente a Satanás. Por que?

1) As descrições “sinete da perfeição, sabedoria e formosura” e, “perfeito eras nos teus caminhos desde o dia em que foste criado” soam como algo inadequado a qualquer rei humano.

2) “... Éden, jardim de Deus”, descrito como o centro do rei na terra, coberto por todas as pedras preciosas, é tomado como a região de Satanás antes de Adão ter sido criado.

3) O “querubim da guarda” é, mais uma vez, uma descrição que dificilmente se ajustaria a um rei pagão, mas ficaria mais bem posto no papel de Satanás antes da queda, na qualidade de um importante ser angelical.

4) “Até que       se achou iniqüidade em ti”, não se encaixa na doutrina da depravação humana, mas parece indicar um ato específico de pecado que acabara por corromper o ser descrito.

5) As expressões: “Eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo (...) e te reduzi a cinzas sobre a terra” parecem se ajustar às palavras de Cristo sobre a expulsão de Satanás do céu, conforme se encontra registrado em Lucas 10.18. 

Conquanto esses mesmos versículos admitam interpretações metafóricas e poéticas, com referência aos governantes humanos de Tiro, os que vêem Satanás nesta passagem acreditam que elas se ajustam melhor ao ser maligno. Por outro lado, um comentarista declara que, “cada característica fornecida sobre ele [o rei] nesses versículos, pode ser aplicada àluz do contexto religioso-cultural da época”.

Fonte: RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia – Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Casa Publicadora das Assembléias de Deus – CPAD. Rio de Janeiro, 2005.

Ezequiel 28.15

“Perfeito eras”. Is 14.12 compara o rei da Babilônia à pessoa de Lúcifer, “Estrela da Manhã”. Naqueles tempos já existia a história de um anjo perfeito, dos mais gloriosos, que, querendo elevar-se acima do seu nível, foi precipitado à destruição. A Bíblia não dedica muitas linhas aos fatos ocorridos nos Céus; da mesma forma, só o primeiro versículo de Gênesis se refere à criação do universo inteiro, daí a narrativa se limitar às origens da terra, e depois à história da raça humana. Compreende-se, porém, que há uma alusão à pessoa de Satanás e que a soberba entrega a pessoa nas mãos dele.

Fonte: Bíblia Shedd. Edições Vida Nova. São Paulo, 1997.

O rei de Tiro (Ezequiel 28)

Tudo o que é dito sobre o rei de Tiro aqui deve ser entendido como tendo uma dupla referência – ao rei terreno de Tiro, um homem; e ao rei sobrenatural, Satanás ou Lúcifer, que governava Tiro por meio do monarca humana. Tanto o rei humano como o sobrenatural são mencionados e tratados nessa profecia. Afirmações que poderiam se referir ao ser humano devem ser entendidas como afirmativas que dizem respeito a ele; e aqueles que não poderiam se referir a um homem devem ser reconhecidas como referências ao ser sobrenatural.

Nesta passagem existem 21 referências a Lúcifer:

(1) Tu eras o selo da medida (modelo como em 43.10); ou seja: Tu eras o perfeito modelo (v.12).
(2) Tu eras cheio de sabedoria e perfeito em formosura (vv. 12,17).
(3) Estiveste no Éden, jardim de Deus (v.13).
(4) De toda a pedra preciosa era a tua cobertura quando estiveste no Éden.
(5) Foste criado (não nascido).
(6) Tu eras o querubim (anjo) ungido para cobrir (proteger ou abrigar, v.14).
(7) Eu te estabeleci.
(8) No monte santo de Deus estavas.
(9) No meio das pedras afogueadas andavas.
(10) Perfeito eras nos teus caminhos (nas leis em que exigi que andaste), desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti (v. 15).
(11) Na multiplicação do teu comércio (tráfico) pecaste. Eu te lancei do monte de Deus (v.16).
(12) Eu te fiz perecer, ó querubim (anjo) cobridor, do meio das pedras afogueadas.
(13) Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura (v. 17).
(14) Corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor (esplendor, formosura).
(15) Por terra te lancei (v. 17; Lc 10.18; Is 14.12-14).
(16) Diante dos reis te pus (v. 17; Mt 25.41; Ap 20.10).
(17) Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários (v. 18).
(18) Fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu (v. 18; Mt 25.4; Ap 20.10)
(19) Eu te tornei em cinza sobre a terra (v. 18).
(20) Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti (v. 19).
(21) Em grande espanto te tornaste, e nunca mais serás solto entre os homens para exaltares a ti mesmo e te opores a Deus.

É verdade que algumas dessas afirmações poderiam se referir ao rei terreno de Tiro, mas grande parte delas (pontos 3-12, por exemplo) jamais poderia se aplicar a um ser humano. Reconhecendo que a lei da dupla referência se aplica a essa passagem, podemos dizer que Lúcifer é único ser nas Escrituras que poderia cumprir todas as afirmações aqui; portanto, ele deve ser o elemento em questão aqui e quem cumprirá os elementos sobrenaturais.

O tempo da queda de Lúcifer (Ezequiel 28.15)

O tempo de sua iniqüidade foi quando ele se rebelou contra Deus para exaltar seu trono e reino da terra ao céu (Is 14.12-14). O tempo de sua corrupção e pecado foi certamente antes dos dias de Adão, pois Lúcifer já era uma criatura caída quando apareceu no Éden de Adão (Gn 2; 2Co 11.4).

A blasfêmia de Lúcifer (Ezequiel 28.16)

Heb. Rekullah, tráfico. Refere-se ao andar de Lúcifer blasfemando contra Deus aos seus próprios súditos na terra, e aos súditos de Deus entre os anjos, até ter todos os seus súditos na terra se rebelando contra o Criador, bem como um terço dos anjos (Is 14.12-14; 2Pe 3.4-6; Ap 12.4). Independentemente do que seja, está claro aqui que o comportamento resultou em violência; e Lúcifer pecou e rompeu com Deus. Essa não poderia ser uma referência a um rei na terra, como o governante de Tiro fazendo negócios comuns com as nações. Definitivamente diz respeito ao comércio de um querubim, e não de um homem. Todo o comércio entre as nações do mundo inteiro não poderia levar um anjo a pecar, como aconteceu aqui no v. 16.

O monte de Deus (Ezequiel 28.16)

Nenhum anjo esteve em algum monte santo de Deus durante o governo do rei terreno de Tiro, por isso a referência diz respeito ao passado eterno em que o próprio querubim tinha um trono literal na terra sobre o monte santo de Deus. Aqui temos uma compreensão da posição de Lúcifer antes de sua queda, e uma revelação sobre a causa de sua queda (vv. 13-17). O termo monte/montanha de Deus e suas variações ocorrem seis vezes (Gn 22.14; Nm 10.33; Is 2.3; 30.29; Mq 4.2; Zc 8.3). Todas essas passagens bíblicas não se referem ao mesmo monte no mesmo lugar, como se pode ver em diversas passagens.

Lúcifer é expulso do céu (Ezequiel 28.17)

Ele foi lançado do céu de volta à terra na época de sua invasão do céu (v. 17; Is 14.12-14; Lc 10.18), e será lançado à terra novamente no meio da 70ª semana de Daniel (Ap 12.7-12). Então ele será lançado no abismo por mil anos e será solto por um breve espaço de tempo novamente no final desse período. Depois disso, será lançado no lago de fogo para ser atormentado para sempre (Ap 20.1-10).

Lúcifer é humilhado (Ezequiel 28.17)

Ele já havia sido humilhado diante dos reis, pois foi lançado à terra diante de todas as nações sobre as quais reinava antes da época de Adão (Is 14.12-14). Será mais uma vez terrivelmente humilhado diante dos reis da terra aos quais liderará com o Anticristo na batalha do Armagedom (Ap 12.7-12; 16.13-16; 19.11-21; 20.1-3). Então, mais uma vez, no final do Milênio, ele será lançado no inferno diante de todos os reis e dos outros que passarão a eternidade no lago de fogo (Mt 25.41; Ap 20.10).

Tornado em cinza (Ezequiel 28.18)

Ele cairá como cinzas no chão. Cinzas falam da terrível humilhação e, como elas, ele literalmente cairá ao chão, e então será lançado no inferno, onde homens irão observá-lo (vv. 17,18). Isso não faz referência ao seu corpo sendo transformado em cinzas, então esses homens não poderiam vê-lo ou saber que ele foi Satanás. Portanto, não se deve considerar que ele tem um corpo mortal que pode ser transformado em cinzas. As pessoas se espantarão com ele, e não com as suas cinzas (vv. 18,19).

Fonte: Bíblia de Estudo Dake. Casa Publicadora das Assembléias de Deus – CPAD. Rio de Janeiro, 2009.





[1] Bíblia de Estudo DAKE.
[2] Isaías 14:12 (Almeida Corrigida e Revisada Fiel)
[3] O original hebraico não possuía vogais, que foram acrescentadas posteriormente.
[4] Ezequiel 28:13
[5] Ibid. (v. 14)
[6] Lucas 10:18
[7] Ezequiel 28:15-16
[8] Apocalipse 12:7-9
[9]Apocalipse 20:1-2

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Seria o culto aos deuses do mundo antigo culto aos anjos que pecaram?


Publicado em 21 de julho de 2013, por Max Rangel em Artigos.

Anjos que pecaram e deuses do mundo antigo






































Tanto na epistola de Judas quanto na epistola de Pedro, vemos uma menção a anjos que pecaram. Anjos que não guardaram seu principado e pecaram e foram punidos por Deus e estão reservados ao juizo:

“Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios” 2Pe 2,4-5

anjos caidos (Ilustrações apenas no texto original. Link abaixo.)

“E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia” Jd 1,6

Mas quem eram esses anjos e quais seus pecados. A única referência de anjos que vemos praticando algo errado é no livro de gênesis no cpaitulo 6, onde Moisés descreve acerca dos filhos dos deuses:

“Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram” Gn 6,2

Alguns eruditos e teologos acreditam que os filhos de Deus (deuses) mencionados aqui se referem aos filhos de Set, mas essa mesma palavra aparece no livro de jó sendo uma referência a anjos:

“E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles” Jó 1,6

Então primeiro, vamos analisar a visão teológica acerca destes filhos de deuses.Os téologos e estudiosos da Bíblia até hoje divergem sobre a natureza dos Nephilim e dos “Filhos de Deus”, mencionados em Gn 6. Há duas possíveis interpretações:

* G. H. Pember argumenta em favor da teoria que diz que os “Filhos de Deus” de Gn 6 são na verdade anjos que vieram a Terra para terem intercurso com mulheres, tiveram filhos, sendo por isso punidos e lançados no inferno, segundo a Segunda Epístola de Pedro 2:4 (é interessante notar que no original a palavra não é “inferno”, e sim “tártaro” o que pode implicar um lugar diferente), e seus filhos se tornaram pessoas híbridas, metade humano, metade angélico (ver As Eras Mais Primitivas da Terra). Essa teoria é defendida por teólogos como John Fleming (1), S. R. Maitland (2), Caio Fábio (idéia advogada no seu livro de ficção Nephilim), Charles Ryrie, em sua Bíblia de estudo e pela maioria dos primeiros cristãos. Esteve em voga na Idade Média É também o ponto de vista de Fílon de Alexandria e dos apócrifos de Enoque e do Testamento dos Doze Patriarcas.

* Teoria de que não eram anjos, mas sim descendentes de Sete, que ainda seguiam a Deus. As “filhas dos homens” eram filhas de Caim, afastadas de Deus, e seus filhos foram heróis posteriormente, mas a Bíblia considera-os caídos, porque se afastaram de Deus. Argumenta-se que os anjos não podem procriar e que “filhos de Deus” referia-se aos seguidores de Deus. Essa teoria foi propagada por Agostinho, C. I. Scofield, Gordon Lindsay, entre outros, sendo a mais aceita. (ver uma defesa desta teoria[1]).

Há outras teorias como a de pano de fundo evolucionista que diz que os “filhos de Deus” eram descendentes de Adão e as “filhas dos homens” de uma raça inferior, como, por exemplo, a Neandertal. Atualmente pesquisas científicas comprovaram que aproximadamente 4% de nosso DNA é de origem Neandertal. Alguns veem ai a comprovaçao desta linha teórica.

Ainda outras teorias apresentam essa Mistura de [Filhos de Deus] com os [Filhos dos Homens] como uma hipotética experiência genética que os [Anjos] teriam feito nos seres humanos da época, na tentativa de evoluí-los.

O entendimento primitivo era de que os filhos de Deus eram anjos; o primeiro cristão a desafiar essa visão foi Julius Africanus (+- 200 DC), quando percebeu que algumas Bíblias gregas traziam o termo “Anjos de Deus” enquanto outras o traduziam como “Filhos de Deus”, então Julius deixou sua opinião de que os ‘filhos de Deus’ eram os descendentes de Sete, enquanto as filhas dos homens eram a linhagem de Caim; Julius também cita a visão dos anjos se relacionando com mulheres e ensinando-lhes astrologia e magia, mas dizia que preferia uma explicação mais naturalista. É possível que ele tenha sido influenciado pelos gnósticos, que tinham setores que veneravam Sete e outros que veneravam Caim.

A partir daí as ‘opiniões’ se dividiram.

O livro de Enoque
Agostinho de Hipona (354-430 DC) teria decidido essa questão e encerrado a discussão dos anjos caídos entendendo que Gênesis 6 tratava-se da união da linhagem “piedosa” de Sete com a vil linhagem de Caim, dada a força da igreja em suprimir o que lhe interessava na época, o mito da linhagem piedosa de Sete acabou prevalecendo.

A influência negativa da exegese de Agostinho ainda defendia que as escrituras deveriam ser entendidas de forma alegórica tendo em vista o conhecimento da época em questão e não de forma literal. Mas esse entendimento de forma alegórica leva a distorções sob uma exegese forçada, indutiva e falsa, dando margem à imaginação e não ao entendimento, principalmente quando vemos escrituras como o Gênesis, claramente históricas sendo interpretadas a seu bel prazer, sem aprofundamento ou lógica.

Philo de Alexandria (20 AC – 50 DC), um filósofo contemporâneo de Josephus, entendia que as escrituras devem ser compreendidas de forma literal mas com um profundo significado espiritual. Philo teria até mesmo influenciado os cristãos primitivos com suas idéias, principalmente por ter escrito sobre o pentateuco em grego.
Em um pequeno ensaio intitulado “Relativo aos Gigantes”, que fora dedicado à interpretação de Gênesis 6, ele faz suas exposições baseado na tradução grega da Bíblia, e a cópia de seu texto tem a interpretação “anjos de Deus” apenas.

A edição da Bíblia de estudo “Bíblia de Jerusalém” cita em nota sobre Gênesis 6:

“O judaísmo posterior e quase todos os escritores eclesiásticos viram anjos culpados nesses ‘filhos de Deus’. Mas a partir do século IV em função de uma noção espiritual dos anjos, os padres comumente interpretaram os ‘filhos de Deus’ como a linhagem de Sete e as “filhas dos homens” como a descendência de Caim.”

As teorias divergem, mas vemos em judas uma pista acerca de qual hipotese se encaixa melhor no contexto:

“Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno” Jd 1,7

Alguns acreditam que Judas estava se referindo a uma antiga lenda judaica narrada no apócrifo livro de Enoque. No versiculo 14 desta epistola Judas inclusive menciona Enoque. Enoque, o sétimo dos patriarcas depois de Adão, segundo gênesis, foi um homem justo e andou com Deus. Enoque deixou escrito suas revelações que é chamado atualmente de livro de Enoque. Em um certo paralelo com gênesis, Enoque descreve que anjos viram que as filhas do homens eram bonitas e formosas e fizeram um acordo. Eles vieram a terra, e seduziram as mulheres e desta união nasceram nefilins, isto é, gigantes.

Nefilim, do hebraico נְפִלנ ְפִיל nefilím, que significa desertores, caídos, derrubados, mas tal termo é uma variação do termo נָפַל. Deriva da forma causativa do verbo nafál ou nefal (cair,queda,derrubar,cortar). Traz uma idéia de dividido, falho, queda, perdido, mentiroso, desertor.Literalmente os que fazem os outros cair ou mentir.

No Dicionário de Strong são chamados de tiranos. Em aramaico Nephila designa a constelação de Orion, que entre os hebreus era o anjo Shemhazai (Semyaza, Samyaza, Semyaze), conforme relatado no Livro de Enoque.

A Bíblia faz menção aos Nefelins como “anjos caídos”, “espíritos impuros” ou “demônios”, e no tal apócrifo Livro de Enoch como “vigilantes”, sendo em ambos os tais anjos que copularam com as filhas dos homens e engendraram esta raça híbrida dos gigantes.

Na Bíblia esta palavra refere-se aos filhos de אלהים, os valentes e heróis da antigüidade como relata o Livro do Gênesis 6:4.
“ Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de אלהים entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos;estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama. ”

Lembrando que a palavra Elohim em hebraico está no plural e significa Os Elevados trazendo a referência lógica e clara de onde surgiram os Nefilins. Elohim ou Os Filhos de Deus אלהים segundo a bíblia, Nefilins portanto é o grupo de Elohim que se rebelaram adquirindo o epíteto que literalmente significa Os Elevados Desertores.

Os gigantes são o resultado de uma união entre duas espécies, seres que foram alterados geneticamente devido a compatibilidade entre as mulheres humanas e os Nefelins. Na Bíblia, podemos identificar alguns dos descendentes dos Nefelins na terra por serem antigos governantes, como aponta o livro de Números 13:33
“ Também vimos ali os Nefilins, isto é, os filhos de Anaque, que são descendentes dos nefilins; éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim também éramos aos seus olhos. ”

No livro de Números temos referência a genealogia dos Nefelins entre os homens e também o local onde habitavam. Números 13:22
“ E subindo para o Negebe, vieram até Hebrom, onde estavam Aimã, Sesai e Talmai, filhos de Anaque.(Ora, Hebrom foi edificada sete anos antes de Zoã no Egito.) ”

Já no livro de Deuteronômio podemos conhecer um pouco das características físicas dos Nefelins. Deuteronômio 9:2
“ Um povo grande e alto, filhos dos anaquins, que tu conhecestes, e dos quais tens ouvido dizer: Quem poderá resistir aos filhos de Anaque? ”

Neste versículo há uma segunda referência aos filhos de Deus, onde são chamados de Anaquins. A Palavra Anaquin tem origem no idioma sumério(Escrita Cuneiforme) da palavra Suméria Anunnaki que significa Aqueles que do céu desceram à Terra, o que corrobora o versículo bíblico com as narrativas Sumérias e Mesopotamica.

Ainda no livro de Deuteronômio podemos identificar outras referências aos Nefelins como apresenta o capítulo 2 versículos 10 e 11. Deuteronômio 2:10,11
“ Antes haviam habitado nela os Emins, povo grande e numeroso, e alto como os Anaquins;Eles também são considerados Refains como os anaquins; mas os moabitas lhes chamam Emins. ”

Depois de compreendermos estes versículos fica mais esclarecedor a batalha citada no livro do Gênesis, no capitúlo 14:5.
“ Por isso, ao décimo quarto ano veio Quedorlaomer, e os reis que estavam com ele,e feriram aos Refains em Asterote-Carnaim, aos Zuzins em Hão, aos Emins em Savé-Quiriataim ”

Mesmo não tendo nenhuma outra referência na Bíblia sobre os Zuzins podemos logicamente concluir que os Zuzins também eram descendentes dos Nefelins na Terra. No livro de Deuteronômio podemos compreender que alguns povos apenas davam outros nomes aos filhos de Deus ou Nefelins e seus descendentes. Deuteronômio 2:20
“ Também essa é considerada terra de Refains; Outrora habitavam nela Refains, mas os Amonitas lhes chamam Zanzumins ”

Deuteronômio 3:13
“ e dei à meia tribo de Manassés o resto de Gileade, como também todo o Basã, o reino de Ogue, isto é, toda a região de Argobe com todo o Basã. O mesmo se chamava a terra dos Refains ”

Flávio Josefo faz uma distinção entre os gigantes e o fruto das relações entre os “Filhos de Deus” e as “filhas dos homens”, quando afirma em sua obra: “… e os grandes da terra, que se haviam casado com as filhas dos descendentes de Caim, produziram uma raça indolente que, pela confiança que depositavam na própria força, se vangloriava de calcar aos pés a justica e imitava os gigantes de que falam os gregos.” (Antiguidades Judaicas). Aparece pela primeira vez em Génesis 6 traduzido como Gigantes, na maioria das versões bíblicas.Foi traduzido para o grego como grigori e para o latim como Gigantes como se pode verificar na Vulgata.

Na tradução Almeida (ALA),”filhos de Deus” se refere aos descendentes de Sete, nessa mesma tradução o hebraico nefilím é vertido por “gigantes”. Os Nefilins são descritos como “os poderosos [em hebr. hag gibborím] da Antiguidade” e os “homens de fama [ou “heróis”, MC]“.

Diz a narrativa ma bílbia que Deus teria decretado um dilúvio, atualmente é conhecido pela ciência moderna que o nosso planeta passa por um processo cataclísmico e cíclico e após a ocorrência do mesmo toda a sociedade humana foi destruída. O relato termina com dilúvio bíblico eliminando a raça humana juntamente com os Nefilins, os filhos dos filhos de Deus. Por fim, recomeça uma nova humanidade e os genitores dos Nefilins são eliminados omo afirma o livro de Josué Josué 15:14
“ E Calebe expulsou dali os três filhos de Anaque: Sesai, Aimã e Talmai, filhos de Anaque. ”

Similariedades com os sumérios
Muitos estudiosos afirmam que os Anunnaki são a própria espécie dos Nephilins como o escritor Zecharia Sitchin. De acordo com Sitchin, os Nefilim são os habitantes de Nibiru/Marduk o desconhecido 9º planeta do nosso sistema solar. Os sumérios tinham grandes conhecimentos de astronomia para sua época e retrataram a passagem deste corpo celeste como mostra o cilíndro VA-243.

Moisés disse que esses gigantes eram os valentes da antiguidade. Segundo Enoque, esses anjos ensinaram toda sorte de sortilégios aos homens e se passaram por deuses. Então seriam estes anjos os deuses do mundo antigo? O livro de Enoque, relatos sumérios e outros apócrifos mencionam fatos semelhantes. Contam a história de deuses que vieram do sol e ensinaram o conhecimento ao homem. Também narram histórias de experiências de humanos com animais gerando seres hibridos e criaturas bizarras.

Considerando a decadência do homem e o dilúvio

Aparentemente essa união entre anjos e humanos causou um grande problema genético, porque Deus resolve destruir o mundo com o dilúvio devido à corrupção de toda a carne, ou seja, todas as criaturas foram afetadas, da mesma forma que foram afetadas quando da queda de Adão.

“E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra. Gênesis” 6:12

O que nos dá a idéia de que não apenas houve a corrupção do homem mas também dos animais, sendo que Noé foi o único que não havia sido contaminado.

“Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus. Gênesis” 6:9

Aqui a palavra “gerações” aparece traduzida também como “descendência” remetendo a uma pureza genética e não moral.

Considerando que o homem vivia em torno de 900 anos e que a pureza genética não deveria ser um problema, a alegação de uma união entre a descendência de Sete e Caim também não deveria causar nenhum problema de consanguinidade, ocasionando o surgimento de gigantes, também não é aceitável que a marca que Deus colocou em Caim tenha sido uma marca genética, porque essa marca era unicamente para evitar que ele fosse morto, coisa que uma marca genética não seria prática. E sem um fator externo não poderia haver a diferença de tipos sanguíneos que existem hoje, também não existiria a diversidade de raças que surgiram após esse evento. Essa tese da descendência piedosa de Sete também é totalmente falha, vejamos o que diz Gênesis 4:26:

“E a Sete também nasceu um filho; e chamou o seu nome Enos; então se começou a invocar o nome do SENHOR.”

Esse versículo além de controverso é mal traduzido, primeiro porque se somente Enos começou a invocar o nome do Senhor quer dizer que Adão e Sete não o faziam, o que é bem insensato e também controverso com a tese da “piedosa linhagem de Sete” que não é chamada assim na Bíblia em lugar algum; mas preste bem atenção em “se começou”, entendido como ‘começou a invocar a si mesmo’ o nome do Senhor, ou seja, começou a achar que era Deus. Estudando esse versículo temos um entendimento correto, vejamos a tradução da versão King James, como já citamos considerada uma das melhores traduções da Bíblia (ainda que tenha falhas também):

“And to Seth, to him also there was born a son; and he called his name Enos: then began men to call upon the name of the LORD. {Enos: Heb. Enosh} {to call…: or, to call themselves by the name of the Lord}”

Essa tradução nos dá uma visão mais acurada {‘invocar..:’ ou ‘chamar a si mesmos pelo nome do Senhor’} ou seja, os filhos de Sete já haviam começado a chamar a si mesmo deuses (chamar a si mesmos pelo nome do Senhor), enquanto os filhos de Sete estavam corrompidos espiritualmente, já os filhos de Caim além de corrompidos espiritualmente também estavam sob forte influência no sentido material das artes, guerra, etc, a humanidade decaída já não ia muito bem, porém com a corrupção dos anjos caídos isso ficou muito pior, porque havia a possibilidade de se corromper a descendência do Messias.

Também não há nenhuma lógica em serem os ‘filhos de Deus’ os descendentes de Sete e as filhas dos homens serem as filhas de Caim, justamente porque em Gen 7:13 esclarece: “E no mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cão e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos.” Ou seja, só sobraram 3 descendentes de Sete? Isso é totalmente ilógico, além do fato de Gênesis nem sequer dar uma pista sobre ser mesmo a descendência de Sete, ou seja, pura suposição imaginativa chamada de exegese, ainda que tentem alegar que as filhas de Caim eram depravadas e seduziram os filhos de Sete, tornando o entendimento mais obscuro e simplista ainda, levando-se em conta que além de não explicar o surgimento dos gigantes também deixa várias pontas soltas, sendo um relaxo com a unicidade das escrituras e sua harmonia. Pode ter havido uma linhagem messiânica, mas nada de linhagem piedosa de Sete, mesmo porque em nenhum lugar da Bíblia diz que a mistura de piedosos e impiedosos gerou gigantes ou fez Deus destruir a humanidade por tal bobagem.

Para quem ainda não fez uma profunda reflexão sobre o assunto das descendências na Bíblia, e talvez muitos não se dêem conta do porquê do detalhamento sobre as descendências na Bíblia, especificando a linhagem messiânica, uma vez que pela lógica todos os homens nasceram de Eva, portanto não poderia haver outra descendência a menos que houvesse um fator externo, ainda que Caim tenha sido declarado “do maligno”, após o dilúvio isso não faz nenhum sentido, somente se outra tentativa de corrupção da linhagem messiânica tivesse lugar.

Alguns intérpretes, nesciamente, entendem que anjos caídos tendo filhos com mulheres é ensinamento encontrado nas tradições pagãs e que isso não é bíblico. Porém nas tradições pagãs esses anjos decaídos são deuses, são adorados e respeitados como verdadeiros deuses que eram proibidos por Deus aos Israelitas. Isso só mostra que essa proibição não era gratuita e que a Bíblia confirma que esses povos adoradores de demônios estavam no caminho do erro, enganados por esses falsos deuses que existiram no passado.

O famoso Gilgamesh era parte humano e parte deus, resultado da mistura de homens e deuses que vieram do céu. Da mesma forma Hércules e tantos outros que eram venerados nas antigas tradições pagãs e ainda o são até os dias de hoje.

(Ilustrações apenas no texto original. Link abaixo.)

Mumia

Placa suméria que ilustra suposto gigante

Figura egipcia

Pintura rupestre

Placa suméria

pintura rupestre

Quase todas mitologias do mundo antigo descrevem deuses que vieram do sol. Por isso vemos em todas elas essa simbologia de adoração solar. Uma curiosidade: Vemos em uma milenar pintura rupestre uma ilustração que se assemelha muito ao deus egipcio anubis:

Pintura rupestre

Anubis
E também vemos que desde os homens das cavernas, menções a adoração solar. E todas essas culturas que cultuavam deuses haviam seus deuses do sol. Talvez por isso Deus tenha abominado tanto a adoração ao sol, porque eram anjos que se passaram por deuses dizendo que vieram do sol:

“E disse-me: Vês isto, filho do homem? Ainda tornarás a ver abominações maiores do que estas. E levou-me para o átrio interior da casa do SENHOR, e eis que estavam à entrada do templo do SENHOR, entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do SENHOR, e com os rostos para o oriente; e eles, virados para o oriente adoravam o sol. Então me disse: Vês isto, filho do homem? Há porventura coisa mais leviana para a casa de Judá, do que tais abominações, que fazem aqui? Havendo enchido a terra de violência, tornam a irritar-me; e ei-los a chegar o ramo ao seu nariz” Ez 8, 15-17

A adoração solar e os deuses do sol: (Ilustrações apenas no texto original. Link abaixo.)

sol em pintura rupestre

Adoração solar egipcia

adoração solar no egito

deus sol egipcio rá

ra, deus egipcio do sol

Deus sol hindu

deus sol maia

deus sol grego

mitra deus sol persa

Hélio deus sol romano

Aureola solar nas imagens cristãs

antigo simbolo do sol

influência solar no catolicismo romano

Observando a cultura e os deuses do mundo antigo, vemos muitas semelhanças entre eles:

Mitra deus persa
MITRA, DEUS ARIANO DA LUZ

O dia 25 de Dezembro é a data do nascimento de Mitra, Guardião da Justiça, Cujo culto, vindo da Índia e do Irão arianos, chegou ao Império Romano no século I a.c. e aí se divulgou imensamente, desde a Ásia Menor até à Ibéria (parece ter havido um templo mitraico em Tróia de Setúbal, foi aí encontrado um baixo-relevo que representa provavelmente uma cena dum banquete mitraico, neste momento exposta no Museu Nacional de Arqueologia, na exposição «Religiões da Lusitânia»), passando pela Gália e pela Britânia.

Mitra, ou Mithras, Cujo nome significa, em Sânscrito (língua ariana da Índia), «Amigo»; em Persa, o mesmo nome quer dizer «Contrato». Trata-Se de um Deus luminoso, puro, combativo, que incita os homens a seguirem o Seu caminho no combate pela Luz contra as Trevas. O Seu culto confundiu-se, no Ocidente, com o do Sol Invictus, ou Sol Invencível; Mitra tem naturalmente um forte carácter solar (o que não significa que seja o Sol) e o Seu dia sagrado é o domingo (no Latim pagão, domingo é «Dies Solis», ou «Dia do Sol»).

De acordo com algumas versões, Mitra nasceu duma pedra, o que constitui um símbolo da sua pureza; segundo outros, é filho duma virgem. De uma maneira ou doutra, conta-se que o Deus Máximo, Ahura Mazda, Lhe ordenou que matasse um determinado touro. O Sol foi o mensageiro que levou esta ordem a Mitra, O Qual a cumpriu, conseguindo levar o touro para uma caverna onde o sacrificou (por esse motivo, os fiéis de Mitra oficiavam as suas cerimónias religiosas em cavernas). Do sacrifício do touro, o universo é renovado, pois que o sangue do bovino será o vinho e todo o seu corpo alimenta o cosmos, dando, entre outras coisas, o pão. A alma do touro sacrificado subiu então aos céusa para ficar junto do Deus Supremo.

Depois de cumprida a sua missão, Mitra realizou um banquete com os Seus fiéis, comendo pão e vinho, findo o qual ascendeu aos céus.

MARDUK

marduk
Marduque, Marduk ou Merodaque, como é apresentado na Biblia, é um deus protetor da cidade da Babilónia, pertencente a uma geração tardia de deuses da antiga Mesopotâmia. Era filho de uma relação incestuosa entre Enki e Ninhursag. Foi pai de Dumuzi (que seria o bíblico Tamuz) que corresponde ao deus egipcio Osíris. A sua consorte era Sarpanitu. Possuía quatro olhos e ouvidos (via e ouvia tudo), e de sua língua saía uma chama; apesar de tudo, era considerado muito belo.

NINURTA
Ninurta ou Inurta era o deus dos combates no tempo dos sargônidas na mitologia babilônica; consideram-no, os estudiosos, um deus emigrado da religião naturista.Nos arcaicos tempos sumérios, era o senhor de Girsu (Nim Girsu), o quarteirão sagrado de Lagash, quando desempenhava o papel de deus da fertilidade, presidindo as cheias dos rios que traziam a abundância do adubo que permitia a prática da agricultura. Na época assíria, seus símbolos eram armas mas já houvera sido uma charrua.
Na figura de Ninurta se confundem muitas outras divindades: Inshushinak, o deus de Susa, Zababa, o deus de Kish e muitos outros. Assim como se confundem vários deuses consigo, também lhe atribuem uma poligamia pois, ora é esposo de Babu, ora de Gula, divindades diferentes que presidiam a saúde dos homens.

NERGAL
Era o deus (dingir) sumério da guerra e da morte. Tinha por esposa a deusa Ereshkigal.O atrevido e impetuoso Nergal era filho de Enlil, deus do Ar, e Ninlil , deusa dos Cereais. Como filho primogênito do casal, nasceu do estupro sofrido por sua mãe, diante dos portões do reino infernal de Ereshkigal. Viveu toda a sua infância e juventude entre os deuses Anunnaki, até o dia em que ousou ofender Namtar, representante oficial de Ereshkigal, afirmando total indiferença contra Ereshkigal, uma deusa a quem nunca vira. Até aquele momento, a soberba de Nergal havia provocado nos demais deuses diversão e surpresa, porém naquele instante instaurou o horror e a reprovação por parte de todos, já que sabiam que a rainha do Inferno não seria condescendente com seu desprezo.

NAMMU
Segundo os mitos das regiões mesopotâmicas, Nammu ou Namma é uma deusa primordial, a mãe de todos os deuses e deusas, do céu e da terra; cujo nome é descrito por um pictograma que significa “mar primordial”; era a deusa do “mar doce”.

Da união dos filhos de Nammu, Anu (Céu) e Antu/Ki (Terra), nasceu Enlil (Ar); quando o deus do Céu, se viu sozinho e chorava copiosamente com saudades da esposa Ki, Nammu então recolheu as lágrimas e gerou Enki, Ereshkigal e Ninki (Damkina). Era uma deusa poderosa e afável, a quem os exorcistas recorriam para livrar possessos do domínio de demônios. É a grande mãe das fontes da vida, é a deusa que nutre e preserva.

Shamash
SHAMASH
ARQUÉTIPOS: Utu, Babbar

Shamash (em acadiano: Šamaš “Sol”) ou, aportuguesado, Chamach, era uma deidade mesopotâmica nativa e o deus sol no panteão acádico, assírio e babiloniano. Shamash foi o deus da justiça na Babilônia e Assíria, correspondendo ao deus Utu sumeriano.
O “Sol” do acadiano šamaš é cognato ao hebraico ??? šemeš e árabe ??? šams.Shamash deriva do acádico Šams, que queria dizer Sol, tal como ainda hoje no árabe moderno.Entra no nome compósito dos reis assírios Shamsi-Adad, invocação simultânea de Shamash e de Adad.

Shamash aparece na história do Mangá Japonês Shaman King como espírito Guardião da Iron Maiden Jeane, líder dos X-Laws. A Participação na trama é bem fiel a sua história, já que é utilizado como ferramenta de Julgamento – Fazendo Alusão a sua participação mística no Código de Hamurabi.

INANNA
DEUSA DO AMOR E FERTILIDADE. ARQUÉTIPOS: ISHTAR, AFRODITE, VÊNUS.

Inanna deusa do amor suméria

Inanna era a deusa (dingir) do amor, do erotismo, da fecundidade e da fertilidade, entre os antigos Sumérios, sendo associada ao planeta Vénus. Era especialmente cultuada em Ur, mas era alvo de culto em todas as cidades sumérias.A sacerdotisa Enheduana compôs 42 hinos em sua homenagem; estes hinos são uma das principais fontes sobre a mitologia suméria.

Surge em praticamente todos os mitos, sobretudo pelo seu carácter de deusa do amor (embora seja sempre referida como a virgem Inanna); por exemplo, como a deusa se tivesse apaixonado pelo jovem Dumuzi, tendo este morrido, a deusa desceu aos Infernos para o resgatar dos mortos, para que este pudesse dar vida à humanidade, agora transformado em deus da agricultura e da vegetação.

É cognata das deusas semitas da Mesopotâmia (Ishtar) e de Canaã (Asterote e Anat), tanto em termos de mitologia como de significado. O dia 2 de Janeiro é tradicionalmente consagrado a esta deusa.



© Religiao Pura